quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Descolar um miguxo, ou descolar um metal farofa?



A década de 1990 não foi muito torturante, na verdade não foi torturante, salve uns ou outros eventos de expressões “chulas”, foi à fase de ouro do Underground pessoense. Chegamos em uma nova época, um novo século e podemos nos perguntar: o que mudou.
Como sabemos a mudança logicamente não foi nula, na verdade a mudança foi profunda e reacionária, acompanhando o guinar dos grandes centros cosmopolitas. Houve a bestialização musical e filosófica nesse meio que denominamos de underground, e que era predominantemente fundamentalista.
Fundamentalista sim, descolados não!
A estética passou a ser uma peça chave no seio do movimento, e não se compreende tal sem compreendê-la. Nos dias atuais se torna mais “alfa” aquele que se demonstra mais “Punk Center” ou mais “Metal Farofa”, enfim, aquele que com sua fantasia consegue ganhar o baile.
Em época não tão remota essa realidade apesar de presente nunca seria dominante. É inadmissível que aqueles que se auto-intitulam undergrounds não produzam nada beneficente para o meio, nenhum discurso, nenhum protesto, nenhuma coerência.
Imagino a dificuldade que deve ser acordar todo dia e ser nada mais que um peso morto na terra, uma pessoa que não está apta a mudança. Realmente deve ser difícil ser assim. Um grupo que luta pela ociosidade, que se relacionam de forma patética, que proferem discursos falsos, que lutam por um território.
Descolar um miguxo emo ou um metal farofa não pode ser motivo pra infelicidade, meu discurso não é esse. Crítico essa realidade por que me incomodo com ela. Incomodo-me com ela porque participei da “fase Péricles” do underground pessoense. Participei dessa fase e não acreditava que em meados da década seguinte tudo entraria em declínio. Declínio esse característico. é bem verdade, das sociedades consumistas. Declínio e consumismo que geram a acomodação, acomodação que reflete naqueles desbundados que se acham teoricamente engajado! Em que?

Obs: Em homenagem aos pacas que se auto intitulam roqueiros ou qualquer coisa do gênero, e que maus informados sobre o que é contracultura e undergound mostram-se altamente inconscientes, trabalhando uma anti-socialidade que não vestem, que não praticam.
Diferente não é ser igual, nem muito menos é fugir momentaneamente da realidade como fuga de seu próprio fracasso.