segunda-feira, 29 de novembro de 2010

A culpa é do Estado!




A grande confusão momentânea na cidade que não é maravilhosa me deixou com muitas duvidas: quem realmente levará a Paz? E como acreditar em uma paz armada? A paz é uma condição de direito de cada cidadão, muito provavelmente um direito inalienável, porém o mesmo que era para garantir tal condição, é aquele que de forma bastante arbitrária transformou ou construiu essa realidade.
Se antes os moradores de comunidades pobres cariocas viviam sobre o terror do tráfico de drogas, agora eles iram viver sobre o terror do Estado, o mesmo Estado que sempre se mostrou omisso a respeito de suas necessidades, o mesmo que é culpado pela desigualdade que ocasionou a formação de moradias indignas, o mesmo Estado que pôs as armas naquelas mãos.
A culpa é do Estado e de cada cidadão que acredita nesse tipo de cidadania. Como acreditar que o povo vai ser liberto por causa de uma suposta polícia pacificadora? Como? O povo só será liberto quando tiver acesso igualitário aos meios que educam. O povo só será liberto quando de fato jogar a ultima pá de barro nesse tipo de governo.
Creio que um novo tipo de governo que deveria está em questão, um executivo que de fato faça valer nossos esforços para manter nossa democracia, um legislativo que criem leis que possam repartir o bolo para com todos, e um judiciário que aplique o rigor da Lei sem distinção de CEP ou contracheque. Utopia não é acreditar em acesso democrático ou na defesa de uma República, utopia é acreditar que a paz armada, imposta por um Estado omisso, e aplaudido pela imprensa que ganha dinheiro com o sangue do pobre, possa mudar profundamente a realidade daqueles que estão oprimidos por ambas as partes, o tráfico e o seu concorrente fiscal, o Estado.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Quer dizer que seu ídolo morreu por você?

A crença em algo espiritual, que supostamente está acima de todos, não me chateia. De fato me acostumei viver entre falsos moralistas da cristandade, pessoas que falam o nome de Cristo ou de Deus em vão, pessoas que vão a Igreja rezar e fazem tudo errado logo após o fim da celebração, pessoas que apesar de gritarem “EU SOU CRISTÃO”, cometem tudo que é tipo de pecado que o mais ateu de todos pensaria melhor antes de cometer.
Pois bem, nas ultimas semanas tenho recebido na minha conta no Orkut, algumas “rinhas” de orações, as quais, de forma não racional, afinal de contas é uma rede de orações pelo Orkut, tentam chamar a atenção dos jovens e velhos para a falta de importância de Cristo em algumas pessoas.
Entre tais mensagens de apelo emocional, questiona-se o por que das coisas terrena estarem tomando o lugar das coisas que supostamente são de Deus, como a verdade ou os templos religiosos. Muito provavelmente não sou a pessoa mais indicada para responder tais indagações, mesmo assim vou tentar.
Talvez os bares estejam cheios e os cultos estejam esvaziados pelo fato de nenhum dos dois serem algo de Cristo ou Deus, e sim dos homens, e sendo assim o que realmente trás maior prazer momentâneo vai ter maior prestigio. Não sou um conhecedor da palavra da salvação, mas posso questionar a atitude de alguns fieis sobre a sacralização em nome da religião. A religião só faz condenar, talvez ela deveria procurar um novo paradigma para dialogar com as populações de pecadores, buscando uma nova forma de mostra ou apresentar Jesus e seus amigos.
Acredito que a melhor forma de chamar atenção não seja afirmar que Jesus Cristo tem conversas formais ou informais com aquele que é conhecido como Satanás. E mais, será que é sempre louvável mostra Cristo como um frouxo disposto a fazer sempre um sacrifício pessoal para salvar o ocidente? Talvez seria a hora de estudar, ou mesmo debater, novas ideias e concepções sobre o cristianismo.
De fato, acredito que fazer uma oração não salvará ou irá melhorar a vida de ninguém. O que deve importar são as boas obras para com os mais humildes e desamparados, afinal de contas espalhar por uma rede de comunicação e bate papo um texto sem coesão e coerência não é sinal de glorificação, e nem Igreja nenhuma salva, afinal de contas, são muitos representantes de missas, cultos e outros tipos de celebrações que estão envoltos de atitudes pecaminosas que até o famoso Satanás não praticaria.
Eu sei que é um pré-requisitos de religiosos acreditar em coisas que não são reais, mas acreditar que uma rede de oração pelo Orkut pode ocasionar um milagre é no mínimo uma asneira virtual, para não dizer um pecado diante de Deus!

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Todo mundo odeia o Zé




Seria bem legal que o título dessa postagem fosse verdade, mas infelizmente não é, ao menos quando o Zé em questão é o Zé Maranhão, também gentilmente conhecido como Zé Pomba, governador da Paraíba por três mandados, o que provavelmente lhe dar uma parcela de culpa pela falta de desenvolvimento e prosperidade dessa região.
Nem todo mundo odeia o Zé, na verdade, de acordo com pesquisas que analisam a corrida para o Palácio da Redenção, muitas pessoas gostam do Zé, o Zé está na frente, mas uma vez o mestre de obras governará o estado da Paraíba, prometendo muito provavelmente o que não pode e que de forma alguma vai cumprir, viva a democracia!!!
Seria uma ótima oportunidade para concordar com Nelson Rodrigues e aclamar que “toda unanimidade é burra”, mas temo que alguém concorde com minha singela opinião e me torne parte de uma pequena unanimidade, o que teoricamente me transformaria em um burro.
De fato, os eleitores de Zé Targino Maranhão não são burros, na verdade são desatenciosos. Pois esses eleitores temem a mudança, são acomodados com a parcela do bolo que nos resta de migalhas, acreditando no terrorismo midiático, acreditando que esse tal “Senhor Candidato” vai dar seguimento a um tipo de governo e gestão pública que só apareça na televisão, ou que só fica no discurso, que não se une com a prática, e que sustenta o discurso da desigualdade e atraso econômico local.
Sim eu queria que todo mundo odiasse o Zé, porém pelo apontamento da pesquisa apenas os pessoenses e os campinenses são capazes de não engolir ele novamente. A região do Brejo tá com ele, os sertanejos não o largam e até o pessoal da região metropolitana de João Pessoa caiu em suas graças desgraças.
Pois é, o Zé está preparado. Para melhorar os problemas de segurança ele pretende comprar mais viaturas. Para melhorar a educação ele promete investir melhor em fardamento escolar. E para melhorar, ou mesmo fazer enfim funcionar a CAGEPA, ele talvez faça o mesmo que fez com a SAELPA e com o PARAIBAN, irá privatiza – lá.
Boa sorte ao povo paraibano, só são mais quatros anos de progresso, obviamente de acordo com a definição desses eleitores a respeito do conceito de progresso. Parabéns aos sertanejos, só serão mais quatro anos com um governador que adora o discurso da seca, parabéns aos adversários, que alijados do poder poderão futuramente se vangloriar e dizer: “Eu não participei desse governo! E eu também odeio o Zé!”

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Não poderia ser pior



Tocar, escutar, pogar, discutir e se divertir são coisas que não me separaram do bom e não tão velho Hard Core, e para mim, são esses pontos que sustentavam a ideia de música underground, uma música sem firulas, com objetivos claros, não financeiros, um testemunho da agonia social.
Simplesmente passou? Não, não passou não! Porém, é difícil achar novas vertentes da música underground que se identifique com a escola musical oitentista, noventista ou até do início desse novo século. De fato, as novas bandas, ao menos aquelas que chegam aos adolescentes por meios midiáticos, inverteram tudo aquilo que se tinha construído sobre postura Rock, pra não citar a postura Punk, a qual, roubaram parte do visual e misturaram com ideais direitistas burguês.

Bandas como Restart, Nx-Zero, Cine, e um mói de outras bostas, são aquilo que melhor representa a postura Posers, verdadeiramente posers, um verdadeiro modelo de um “roqueiro de shopping”, que infiltrados não só nos meios midiáticos, como a TV, mas também em qualquer região urbana, notadamente rock, denigrem aqueles que realmente ouvem a musicalidade e vestem a ideologia dos três acordes, e que historicamente construíram algo que não poderia terminar (e lógico que não terminou) assim.
A grande dúvida do momento, ao menos pra mim, gira a respeito do que mais pode acontecer com a música e ouvintes do underground brasileiro. Bandas, tipicamente burguesas, são a porta de entrada para que adolescente se identifiquem com o modelo musical e passem a procurar mais a respeito, mas a partir do momento que a referencia se tornou tais bandas citadas acima, "temo" que o underground morra.
Morra porque seu ideal não era apenas musical, como hoje é. Morra porque a visualeira é mais importante que tudo, e nesse mundo de estilistas o que sobrevive é aquele que melhor representa a decadência cabeleira, ocultando a iniciativa de debates a respeito de outros temas que muito provavelmente deveriam ser o fogo de uma juventude que é excluída socialmente, e que se acomodou da sua exclusão. Morrerá e não morrerá.
Porém, o mundo dos acordes nervosos estão cheios de pessoas subversivas que adoram contestar aquilo que os circunlam, cheios de pessoas com asco daquilo que está sendo criado, cheios de pessoas que representam o verdadeiro underground. São essas pessoas, identificadas ou não com algo nostálgicos, que farão o underground do underground, são elas que representam a resistência ao projeto besteirol, são elas que olharão para trás futuramente e vão se orgulhar de sua falta de identificação com tal presente e lembrarão futuramente, quando a derrota musical “EMO” chegar, que nessa (naquela) época não poderia ser pior!


terça-feira, 20 de julho de 2010

Eu só queria gritar



Alguém que é muito famoso, embora esteja morto, escreveu em um certo momento que não me importa, a seguinte frase: “Se ninguém quer escutar, nada mais natural do que gritar”. É gritar (AAAAA)... Eu grito, e quer saber? Eu grito muito bem.
Já gritei em Bayeux, Santa Rita, Cabedelo, Guarabira, Campina Grande, Cuité de Mamanguape, Belém de Caiçara, Patos, Conde e várias outras cidades interioranas. Como também em várias cidades litorâneas como: João Pessoa, Natal, Recife, Fortaleza, Maceió... Certa vez gritei um carioca lá na cidade do Pará. Enfim, meu grito já ultrapassou fronteiras. Mesmo assim falta muitos cantos pra gritar, além de faltar muitas pessoas na minha lista que merecem ser gritadas.
Gritar faz bem, apesar de me deixar rouco. É com o grito que eu pretendo extravasar toda minha agonia, e foi com o grito que milhares de pessoas foram educadas. O grito, portanto, é uma ferramenta pedagógica, embora as políticas modernas tenham deixado tal ferramenta em posição escanteada.
Não pretendo gritar como meio repressor. Pretendo gritar como meio libertário, libertar todas as vozes pressas em minhas entranhas repressoras, libertar todas as vezes que injustamente fui calado, liberar aquilo que involuntariamente está sufocado dentro de mim, simplesmente eu grito!
Grito por minha intensa individualidade, grito para não sufocar todos aqueles que por ventura ocupam o mesmo planeta em que vivo e parasito, grito por aqueles que nunca gritaram, não por serem mudos, afinal, existem outros meios de gritar que não seja com a boca, grito... grito... grito (AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA)

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Eu espero uma mudança!





Estamos em ano eleitoral e talvez esteja na hora de ocultarmos nossos desejos privados e pensarmos racionalmente sobre o que de fato é melhor para o povo paraibano. Melhor em um sentido de real mudança, e não de continuísmo do subdesenvolvimento que a anos se tornou a frente alegórica da política paraibana.
Não! Não existe rostos novos, no entanto existe boas escolhas, da mesma forma que existe, e neste caso é a maioria, de rosto conhecidos que sempre podemos assimilá-los com aquilo que não presta, aquilo que devemos negar.
Negar, por exemplo, o continuísmo. Somos pobres, atrasados e ridicularizados nacionalmente. Será que a culpa é realmente do povo paraibano ou de sua classe política? Ambas tem sua parcela de culpa, porém são os eleitores que são coniventes pela perpetuação de famílias maléficas na organização do poder político, e sendo assim da sua própria situação.
Eu não só digo não... como grito NÃO. Farei minha derradeira campanha contra nossos atuais representantes, farei meu papel de eleitor e cidadão, e dia 3 de outubro direi não ao coronelismo, direi não a diversas coligações, e sairei desse processo eleitoral de cabeça erguida, e mesmo que meu voto não seja relevante para a derrota do opressor meu papel será fundamental.
Nossos representantes políticos sempre usam o discurso da esperança. Porém, sabemos nós que a esperança é a ultima que morre, portanto enquanto não a matarmos estaremos sempre em um transe exótico e em uma realidade derradeira digna da desigualdade social.

terça-feira, 29 de junho de 2010

Fotografar




A tempos queria escrever algo sobre fotografia, algo que não fosse elogiando essa técnica que é pura técnica, e não arte, algo que fosse denunciativo, que criticasse o seu andamento atual, algo que não acrescentasse nada ao processo presente dos fotógrafos.
Pois bem, resolvi tentar! E para iniciar, tenho que elogiar, em um primeiro momento, aqueles que fazem da fotografia um modelo sustentável de vida, ou seja, algo que lhes dê lucro. Receber lucro é algo gradativamente gratificante, principalmente quando esse “gradativamente” cria a real possibilidade financeira e material de conseguir êxito frente a “um mói” de oportunistas amadores que adentram no mercado não pela competência de sua obra, e sim pela sua competência de bajulação e coisas do tipo.
Fotografar é registrar o presente para o futuro, é marcar um determinado período a partir de uma determinada tecnologia, é historiar e eternizar determinado acontecimento. Em tempos não tão primórdios não existia a facilidade atual em fazer registros, pois o valor monetário atribuído a um simples equipamento fotográfico não estava ao alcance de todos, e sendo assim, nem todos registraram suas histórias.
Mas, como sabemos, a atual conjuntura econômica e tecnológica mudou bastante, e são muitos os que hoje têm acesso a tal parafernália, e são muitos os que consequentemente a usam para registrar, eternizar e historiar seu presente.
Diante disto, podemos notar que antes o paradigma de fotografar tinha outro sentido, talvez artístico, mas sempre atrelado à questão estética, e que hoje todos os valores foram fragmentados no ar, acabou um sentido e outro foi inventado, mas a estética continuou a ser o principal foco.
Jovens e pessoas não jovens passaram a fotografar todo dia, e em muitos casos o dia todo. Todo o resultado desses cliques vai parar em algum site de relacionamentos, e com biquinhos, franjinhas e “V” de vitória, os amadores vão se tornando populares, e por se tornarem populares com seu besteirol juvenil, acreditam poder adentrar no mercado profissional.
No mercado profissional, tais amadores logo sentem que, apesar de um bom equipamento, falta não apenas experiência, mas também “jeito real” para a coisa, a famosa competência. Mas são insistentes, e sabem que a partir da bajulação podem chegar ao seu objetivo.
Com o intuito de chegar aos seus objetivos, os amadores que agora se sentem profissionais, irão bajular e ocupar, encharcando o mercado, tirando a partir de cachês ridículos a real possibilidade de um profissional se sustentar, “vulgarizando o espetáculo” de registrar, passando-nos um certo tipo de intelectualidade e dom artístico que é falso, passando para os seus espectadores uma nova forma de registro que, por sinal, é vulgar.
Normalmente aquilo que se torna popular ganha novos paradigmas, como a fotografia ganhou, o que de fato não é problema... Porém, a técnica de fotografar perdeu parte da sua naturalidade, tornando-se algo falso, não proposital, patrocinando ou motivando a juventude a transformar seu presente em algo que não aconteceu propositalmente, e apagando, ao mesmo tempo, o que deve motivar mais: o trabalho do real fotógrafo.